A ‘Grande Semana’

Dom Jaime Spengler
Arcebispo de Porto Alegre
Na próxima semana, a Igreja celebra a paixão, morte e ressurreição de Jesus. Com o Domingo de Ramos, entramos na ‘Grande Semana’ ou Semana Santa, como costumamos denomina-la.
Ela se inicia com a entrada triunfante de Jesus em Jerusalém. A meta desse caminho é a oferta que Jesus faz de si mesmo na cruz e é expressão singular de sua disposição de “amar até o fim’.
À medida que Jesus vai realizando o seu caminho em direção a Jerusalém, ele vai encontrando pessoas que passam a acompanhá-lo. Encontra também um cego chamado Bartimeu, cujo nome significa ‘filho da honra’. Jesus restitui a vista ao ‘filho da honra’, que passa então a segui-lo. Diante do fato, as pessoas ficam maravilhadas. – Não seria esse Jesus o Messias esperado?
Chegando ao Monte das Oliveiras, realiza a partir dali sua entrada na Cidade Santa. Os peregrinos que também vieram a Jerusalém para as festividades pascais, deixaram-se contagiar pela alegria dos discípulos; cantam, dançam, estendem suas vestes por onde Jesus vai passando. Chegando ao Templo, Ele tece crítica aguda ao modo como era gerido e utilizado. Isso causa estupor nos dirigentes que, por sua vez, decidem eliminar definitivamente a Jesus. O que se segue é um misto de vingança e ódio, incompreensões e traições, humildade e prece, submissão e fidelidade. Trata-se de expressões de profunda humanidade e, ao mesmo tempo, de radical disposição da parte de Jesus de se deixar conduzir.
A Semana Santa, os fatos acontecidos naqueles dias representam um grande convite a todos os homens e mulheres de boa vontade. Convite a meditar e refletir sobre as possibilidades e capacidades do ser humano. Ele pode tornar-se animalesco, quando se perde na sua humanidade, quando não é capaz de discernimento, quando se deixa manipular. Mas pode também atingir as mais nobres possibilidades, quando sabe de sua condição e vocação.
A ‘Grande Semana” representa uma possibilidade privilegiada para todos realizarem o caminho da subida a Jerusalém com o Senhor. Nesse itinerário podem estar presentes distintos desafios, diferentes possibilidades.
A Igreja do Brasil nos convidou a despertarmos para uma realidade desumana, presente entre nós: o tráfico humano! Essa realidade é marcada por traições, incompreensões, vergonha, dor e, por vezes, morte. Isso nos recorda que, quando não realizamos o nosso caminho com Jesus; quando não cultivamos, não promovemos, não cuidamos, não educamos nossa humanidade, podemos nos tornar mercadores do ser humano, nos tornar incapazes de ver, perceber e promover a pessoa; perdemos nossa honra e dignidade, tornamo-nos seres diabólicos, animalescos.

Fonte: http://www.cnbb.org.br/artigos-dos-bispos-1/dom-jaime-spengler/14009-a-grande-semana
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